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GILBERTO FREIRE DE MELO
Soares, falecido em 1973. Localizamos Dona Vicentina,
residente em Natal, atualmente com 92 anos de idade e
com a lucidez que nos ajudou a fazer os registros aqui
arrumados. Viúva, sem filhos, alaga de lágrimas os olhos
ao recordar a convivência com Dr. Hildson e com Alto
do Rodrigues, exclamando:
- Dona Sinhá, Iracilde, Tiquinha e tantas outras ... !
A emoção lhe proíbe continuar ...
O Alto do Rodrigues ainda mantém, meio refor-
mada e quiçá modificada, a casa de Dr. Hildson, ou sua
mansão, como a chamávamos, caprichosamente cons-
truída nas proximidades de Alto Alegre, pertencente
hoje a Antônio Olegário, que não mantém mais as par-
ticularidades originais que somente a ele, Dr. Hildson,
interessavam
.
E, ao fazer parte predominante do povoamento e
da formação de seu povo, não poderia deixar de constar
e de ter registro neste trabalho, resgatando os serviços
prestados à sua comunidade.
TEODOMIRO NONATO CAVALCANTI
Assim se chamava o antológico Todó que conhe-
cemos já em decadência, porém ostentando resíduos
feudais de épocas não muito remotas, numa existência
modesta, ociosa, vivida com seus familiares, no sítio
Bamburral, área aproximada do limite geográfico dos
municípios de Alto do Rodrigues e de Pendências, onde
se vêem ainda resíduos de sua moradia, atualmente per-
tencente ao agro-proprietário conhecido por DODÔ.
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ALTO DO RODRIGUES
Respeitado pela população e tratado por Seu Todó,
mantinha seus caprichos e suas tendências mulherengas,
arrastando sempre a asa atrás de um rabo de saia
, em
casa ou nas redondezas. Viúvo, viveu sem casamento
durante muito tempo até que, a mais de meio lastro, se
casou com Adaltiva, filha de João Miguel, uma potranca
local, de brios e de envergadura para além dos quase
setenta anos do currículo de
Seu Todó.
Todó tinha alguns filhos, dentre os quais um que se
chamava Nezinho, de origens não identificadas. Nezi-
nho se gabava de possuir e exibia uma vigorosa caixa
torácica que suportava pesos enormes, como o de um
caminhão que nunca exibiu para nossas platéias. Comen-
tava essas façanhas, porém noutras localidades de onde
viera. Se bem que os caminhões que trafegavam naquela
época, em nossa estradas, eram aqueles pequenos
, mon-
tados em quatro pneus (poderia ser exagero, mas a his-
tória existia); outro filho de
Seu Todo, chamado Sebas-
tião, menos loroteiro, e uma filha chamada Maria, que
a redondeza a tratava por Maria C aval c anti ou Maria de
Todó, de líricos idílios e temos amores
, ainda não esque-
cidos pela memória de sua geração. Moravam todos na
propriedade pertencente ao velho garanhão, em Bam-
burral, onde passa, atualmente, a linha demarcató
ria do
limite geográfico estabelecido entre Pendências e Alto
do Rodrigues.
Falecidos Todó e Nezinho, desapareceram, dei-
xando poucos rastros na Várzea do Açu. Conheceram-se
outros filhos de Todó, além de Maria, de quem nos
ocuparemos adiante
, chamados Nezinho e Sebastião,
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GILBERTO FREIRE DE MELO
já anunciados. De Nezinho, conheceram-se Dorinha
e José, frutos de casamentos também não localizados
por nosso trabalho, apesar dos cansativos esforços. Do
consórcio mantido por Todó com Adaltiva, filha de João
Miguel, ainda localizamos Vera e Francisca, residentes
no Rio de Janeiro
; Maria Fonhenga como era conhecida
a última descendente do famoso reprodutor, morreu, já
neste século, aqui mesmo em Alto do Rodrigues, em
péssimo estado de conservação, sem quaisquer resquí-
cios da nobreza de
Seu Todó.
Quem trafega entre Pendências e Alto do Rodri-
gues, ou vice e versa
, não vê mais resíduos do que restou
da casa-grande construída e habitada por Todó, o último
representante de um feudalismo acentuado nos tempos
de ouro dos coronéis pré
-republicanos.
- MARIA DE TODÓ - Ostentando um porte de
beleza física pessoal bem delineado para sua época,
Maria C aval c anti teve tudo para se classificar dentre as
cinco jovens mais belas e cobiçadas por todos os casa-
menteiros ou não, prometendo a constituição de con-
sórcio excepcional
. Foi noiva de aliança, que ainda se
usava, de Francisco Rodrigues Teixeira, conhecido por
Chico Torquato, que
, apesar do nome, não era da região.
Era um cearense para ali transplantado de Icapuí, que
se estabeleceu no comércio de Pendências e explorava
o ramo de bebidas, onde manteve, enquanto viveu, com
fama e tradição, o Bar Cearense, um dos recantos mais
atrativos da boemia e do consumo de bebida de quan-
tos a procurassem. Assim, como candidato ostentando
um bom partido para as damas de família da região,
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ÁLTO DO RODRIGUES
assumiu compromisso de casamento, com Maria Caval-
canti, junto ao pai da pretendida,
Seu Todó, e, não se
sabe por que cargas d'água, se desfez o conchavo, que
alimentou, por muito tempo, a crônica oral dos acompa-
nhantes de idílios assim fabulosos. Acabou Chico Tor-
quato se casando com Inês de Carvalho Dantas, filha
do causídico provisionado Afonso Avelino Dantas, e
Maria Cavalcanti, poster
iormente casada com Cícero
Gonçalves Ramos, conhecido por Cícero Boi, filho do
patriarca José Piolho
, lá das Pendências, que, como bom
partido, nada deixava a desejar em relação às qualidades
do noivo anterior.
Maria ficou mais famosa por haver, em plena cons-
tância do casamento com Cícero Boi, fugido com Per-
gentino, um caminhoneiro paraibano que vendia bana-
nas na região e levava sal para o comércio do brejo de
Bananeiras.
LUIZ HORÁCIO
Subindo mais para o interior, em direção ao limite
Sul onde Alto do Rodrigues se encontra com Afonso
Bezerra, vamos encontrar ainda descendentes de Luiz
Horácio de Melo, um bem sucedido agropecuarista que
se instalou no sítio chamado "Buraco D' água", hoje São
José, nas proximidades de Tabuleiro Alto, lá para o final
do município, margeando o rio Açu
.
Foi aí que encontramos as marcas indeléveis da pas-
sagem de Luiz Horácio pelo planeta Terra, onde criou os
vários filhos que produziu, dentre eles a professora Lili e
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GILBERTO FREIRE DE MELO
sua irmã, Helena Horácio de Meio, que emigraram para
a capital do Estado.
Honrado patriarca do sítio Buraco D' água, hoje São
José, militante político
, chegou a eleger sua filha Lili
Horário
à Câmara de Vereadores de Alto do Rodrigues,
transferindo para ela a sua liderança e os seus eleitores.
Fazendeiro situado no sítio São José, onde contava com
amizades como ManoeI Mateus, Jorge Femandes, João
Belu, Luiz Barroso e uma dezena de outros amigos com
quem mantinha séria amizade e desfrutava de prestígio
conquistado por gestos e ações de solidariedade.
MANOEL CAETANO
Seu nome era Manoel Caetano de Paula, embora
houvesse herdado de quem o criou
, o nome de famí-
lia e assim registrado, que era Gregório como se cha-
mava o seu pai ldalino Gregório, falecido e enterrado no
Buraco do Estêvão, sua fazenda, bem ali do outro lado
,
na margem esquerda do rio. Era dali mesmo do baixo
Vale do
Açu, nascido e criado à margem esquerda do
rio, porém transplantado para o lado de cá, na Tabatinga,
onde se casou com D. Judilita Pereira Caetano com quem
produziu os sete filhos que ainda fazem rastro aí pela
V árzea do
Açu e alhures, como encontramos o garanhão
Chico Caetano, que não deixa de incomodar a tranqüi-
lidade das garrafas e das prateleiras que guardariam seu
conteúdo por séculos, seculorum, não fossem os Chicos
Caetanos da vida e seus importunos confrades, que
, se
não existissem, não haveria quem nos transmitisse o ane-
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ALTO DO RODRIGUES
dotário da região, aliado a outro conterrâneo, conhecido
por Batista de Panta, motorista da ambulância, e exímio
divulgador das tiradas de humor da população.
NASCIMENTO LOPES
Nascido na várzea do Açu, na margem esquerda,
no sítio denominado Olho D
'água, em 25 de dezem-
bro de 1889, situou-se no centro de Alto do Rodrigues
,
numa casa grande, construí da em tempos passados,
onde fora a sede de sua fazenda
. Não se falava ainda em
alinhamento de ruas ou traçado urbano
, quando a casa
foi construída. Tanto assim que, mesmo com o projeto
de alinhamento surgido depois, a casa de Nascimento
Lopes permaneceu de frente para o norte, enquanto
durou, ali nas imediações de onde
é hoje a Câmara
Municipal, substituída pelo progresso e pela usura,
quando as demais, na mesma rua, já tinham suas frentes
aproadas para o poente. Produziu e deixou filhos que
contribuíram para a povoação de Alto do Rodrigues,
aqui rastreados e identificados, a maioria com ativida-
des dignas de registro, não olvidadas por este trabalho.
Casou-se a primeira vez com D
. Maria do Carmo, com
a qual produziu os dois filhos:
- Francisquinho, de quem falaremos mais adiante,
e Adalgisa
. Ficou viúvo e contraiu novo matrimônio
com D. Maria Soares Lopes que acrescentou a seu nome
o Lopes de Nascimento, tendo com esta cinco filhos,
aqui mencionados:
1 - Francisco, conhecido por Xixico;
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