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memorias do Alto pag.154a163



GILBERTO FREIRE DE MELO
MARIA PUREZA MAlA OLIVEIRA
- Transplantada do Estreito, onde tinha raízes fami-
liares ligadas a D. Cecília e a Absalão Pinheiro Maia, seu
precursor na arte de fazer política e de ganhar eleições.
Foi eleita prefeita de Alto do Rodrigues e administrou
de 1973 a 1976. Pureza, assim chamada por seus con-
terrâneos, era casada com Eufrásio de Oliveira que lhe
deu suporte no arrebanhamento dos eleitores e nas ações
administrativas, enquanto durou o cargo.




A Prefeita Pureza descendia
dos Pinheiro Maia, do Estreito.
Administrou o município no
período de
1973 a 1976.



GERALDO MAGELADE MELO
Nascido e crescido no Alto do Rodrigues, Geraldo
era "vendedor de bicho", com atividades em todo o
município, com um vasto conhecimento dos habitantes,
tratando pelos nomes ou apelidos todos quantos o viam
diariamente na estrada, numa bicicleta, "passando"
ou "vendendo bicho" para um terceiro interessado, o
bicheiro.
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ÁLTO DO RODRIGUES



Geraldo Magela foi eleito 2 vezes
a prefeito de Alto do Rodrigues.

Atualmente é vice-prefeito de
Abelardo Filho

Foi eleito, a primeira vez, em 1977, e governou
até 1982, com dois anos de acréscimo em seu mandato.
Numa disputa acirradíssima com o concorrente Chico
Eliseu, que, na qualidade de ex-prefeito defendia a ban-
deira de serviços prestados no mandato anterior. Con-
tados os sufrágios, uma por uma
, voto por voto, numa
disputa em que ganhava numa e perdia noutra, os dois
candidatos não viam a hora de ser aberta a última uma
que definiria a eleição. E foi nesse nervoso ganha e perde
da apuração que Geraldo Magela enfrentou a abertura
da última uma, quando contabilizava resultado negativo
do seu nome que perdera, na penúltima contagem, por
18 votos para seu concorrente, Chico Eliseu. Como os
chefes políticos, os cabos eleitorais de campanhas no
interior, os candidatos também contabilizam, por ante-
cipação, os votos, uma por uma, desde que sabem de
qual reduto se origina cada uma que vai sendo apurada.
Assim, perdendo por 18 votos, Geraldo, antes que os
escrutinadores começassem a contagem dos sufrágios
daquela última uma, já comemorava. Foi só o que deu
.
Contados os votos daquela uma derradeira, o resultado
deu a Geraldo uma maioria que, deduzidos aqueles

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GILBERTO FREIRE DE MELO
dezoito votos apurados como maioria para Chico Eliseu
na contagem anterior, restou um saldo positivo de 16
votos reais a favor de Geraldo.
Geraldo, que comemorava, por antecipação, desde
o anúncio da maioria de Chico Eliseu, por 18 votos, fal-
tando apenas uma uma, a qual, após apurada, confirmou
a eleição que Geraldo prenunciava.
ABELARDO RODRIGUES FILHO
A morte súbita do pai, Abelardo Rodrigues Fer-
reira, forçou a vinda de Abelardo Filho e alguns de seus
irmãos do Rio de Janeiro, onde moravam, para tenta-
rem salvar o patrimônio e as atividades da família.
Substituindo a administração centralizada de seu pai,
caminhões, comércio, cerâmica - sei lá! - Abelardinho
(como o tratavam) e os irmãos iam-se conduzindo satis-
fatoriamente. Até que, dentre as lideranças locais, surgiu
a idéia de se indicar o nome de Abelardo Filho para a
sucessão de Geraldo Magela, isso em 1982. Era uma fase
em que se renovaram todas as lideranças municipais do




Neto de Álvaro Rodrigues, foi
o primeiro prefeito da família,
administrando, atualmente, o
município, pela quarta gestão.


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ALTO DO RODRIGUES




Com a PETROBRAS e subsidiárias,
o progresso foi, literalkmente
arrancado em Alto do Rodrigues.



Vale do Açu, com nomes que, embora ainda virgens na
política eleitoral, davam às comunidades uma relativa e
contagiante esperança em que se imaginava tremulando
uma bandeira de renovação, e uma consciência regio-
nal
. Assim se elegeram: em Açu, Ronaldo Soares; em
Camaubais, Giovani Wanderley, em Pendências, F elipe
Cavalcanti; em Ipanguaçu, Hélio Santiago Lopes; e, em
Alto do Rodrigues, Abelardo Rodrigues Filho, que tive-
ram seus mandatos prorrogados até 1988.
Foi o primeiro mandato de Abelardo que coinci-
diu com a chegada da PETROBRAS na região, conta-
minando de progresso e de desenvolvimento todos os
municípios da Várzea do Açu, com a invasão de dezenas
de empresas paralelas, e rostos desconhecidos, a serviço
da PETROBRAS, a pesquisar, a perfurar e a derramar
petróleo nas estradas, nos caminhos, nas veredas, enfim
na esfera regional
E o entusiasmo de Abelardo, classificando a
sua administração de ARRANCADA PARA O PRO-
GRESSO, soou como uma premonição. Empregando
a mão-de-obra ativa das comunidades que passaram a
receber royalties para os cofres das prefeituras e para
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GILBERTO FREIRE DE MELO
o bolso dos proprietários rurais, que havia tempo não
contabilizavam resultados positivos em muitos daque-
les imóveis
. Assim mesmo, Os imóveis rurais da Várzea
do Açu, afastados os que usavam novas tecnologias de
irrigação, somente contabilizavam resultados positivos
quando se explorava a cera de camaúba e a produção
de algodão, que foram descartadas com o surgimento de
cera e fibras sintéticas.
Nos céus se vêem entrelaçados os cabos conduto-
res de energia elétrica, as estradas passaram a ser ocu-
padas por carretas imensas, os campos se viram infes-
tados de tubos e de cavalos mecânicos, e a população
aparvalhada com a chegada do progresso e o anúncio de
ampliação do poder aquisitivo da população.
Foi assim que Abelardo administrou o seu primeiro
mandato, firmando-se na liderança, elegendo os seus
sucessores e, elegendo-se pela quarta vez. Está aí admi-
nistrando um generoso orçamento que faz de Alto do
Rodrigues uma invejável e progressiva comunidade.
Basta ver que na educação, além das escolas esta-
duais são mantidas pelo município os educandários
municipais, assim distribuídas:
Na área urbana:
Escola Municipal Luiz Moreira da Silva, sob a
direção de Marly Rodrigues Barbosa;
Escola Municipal Francisico de Oliveira MeIo,
dirigi da por Leontine Van de Boche, uma professora
belga que foi para aqui transplantada e encantada com
as perspectivas da região;
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ALTO DO RODRIGUES
Escola Municipal Mons. Walfredo Gurgel, cuja
diretora é Joana Maria de Jesus Cunha;
Na zona rural:
Centro de Ensino Rural que tem como diretora
Maria Zélia Gomes de Souza;
Escola Municipal Arlindo Martins, dirigida por
Francisca das Chagas de Brito;
Escola Municipal Félix Antônio, sob a direção de
Leda de Souza Silva.
O Setor de Saúde mantém serviços básicos de assis-
tência médica ambulatorial, hospitalar, além da remoção
de pacientes para outras localidades de técnicas mais
avançadas, quando necessário.
FRANCISCA SUZANADE MELO E SILVA
Filha de Francisco Paiva da Silva, conhecido por
Branco, daqui mesmo de Alto do Rodrigues, apoiada
por Abelardo Rodrigues filho e governou 1997/2000 quando foi substituída po
r Abe-




Filha do comerciante conhecido
por Branco, Suzana foi prefeita do
Alto do Rodrigues.



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-;

GILBERTO FREIRE DE MELO
lardo Rodrigues. Sua administração, sem maiores ino-
vações, seguiu o ritmo das anteriores, priorizando edu-
cação, saúde, pavimentação urbana, passando, através
dos votos nas urnas, o bastão ao sucessor sem maiores
questionamentos, sem demandas políticas ou judiciais
sobre aplicação de recursos.
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OS POETAS
N a melhor de suas formas, a poesia, em Alto do
Rodrigues, se manifestava através dos cantadores e dos
cordelistas
, onde sobressaíram:
JOÃO BEZERRA DA ROCHA
Conhecido por João Galo, que registrou em versos
os grandes fatos da Várzea do Açu, como a história de
Manoel Torquato, a tragédia do Rosário, as grandes
cheias do rio Açu, indo mais para além, e cantando, em
versos, os embates eleitorais, como a derrota de Aluí-
zio Alves, em 1982, por José Agripino Maia, e muitos
outros versos de caráter histórico, mantidos na memória
dos seus contemporâneos e nos folhetos que publicou,
alguns talvez existentes nos baús dos mais, ou menos
cuidadosos saudosistas,




o poeta cordelista João Galo que
escreveu, em versos, a sua crônica
dos mais importantes eventos
históricos da Várzea do Açu.



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GILBERTO FREIRE DE MELO
Aloízio Alves era uma espécie de barbatão imbatí-
vel. Depois que derrotou Dinarte Mariz com todo o seu
potencial, passou a ser um mito populista e derrubou
todas as dinastias eleitoreiras do Rio Grande do Norte.
E sua fama se representava nos mais ousados gestos
populistas, como andar em jerico, fantasiado de cigano,
embalado pelas diversas letras musicais populistas que
o transformaram em mais que um mito. Apresentava-se
arrogante, populista, afirmando-se imbatível, e desa-
fiando concorrentes por mais carismáticos e poderosos
que fossem. A sua derrota para José Agripino, em 1982,
quando ambos concorriam ao governo do Estado, trans-
formou-se num fato dos mais fabulosos em todo o Rio
Grande do No
rte. Na Várzea do Açu, então, nem é bom
falar. E João Galo não deixava passar tamanha epopeia
.
Num projeto de cordel, em quarenta e duas estrofes, de
seis versos, descreveu a quebra do mito Aluízio Alves.
Como tantos outros fatos épicos, ocorridos na região,
João Galo publicou a sua crônica, a seu modo
, quando
O episódio ainda latejava na memória e nas emoções
populares, de onde sacamos, para amostragem, alguns
versos, assim:


Leitores, mais uma vez
Peço a Deus que me dê tino,
Para desdobrar em versos,
Por capricho do destino
Sobre a perda de Aluísio
E a vitória de Agripino.
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ALTO DO RODRIGUES
Com a história do voto,
Mesmo debaixo do pano,
Foi que o povo acabou
O feitiço do cigano,
Porém o seu resultado
Foi de entrar pelo cano
.
Porém o jovem de hoje
Que tem o segundo grau
Não vai mais para conversa
Nem lábia de Bacurau,
Já sabe dar a resposta
Pra camelô levar pau.
Camelô de feira livre
Que faz sua propaganda
Enrolando todo o mundo
Deixando a honra de banda,
Porém o povo hoje faz
O que a consciência manda.
Aluízio pensava em ter
Sua grande multidão
,
E o povo fazia sempre
Aquela aglutinação,
Tudo foi pelo contrário
Ficou ele em contra-mão
.
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