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Memorias do Alto pag.101a105


ALTO DO RODRIGUES
partir de Mulungu e Canafístula, revela que, em visita
a João Teresa na semana seguinte a sua substituição
na Prefeitura, o encontrou no roçado, limpando mato,
com uma enxada, do mesmo jeito que o conhecera
anteriormente.
cmCOELISEU
Assim era conhecido o Sr. Francisco de Oliveira
Melo, o farmacêutico, o parteiro, o patologista que atuou,
enquanto viveu
, nas comunidades da Várzea do Açu.
Sediado em Alto do Rodrigues, apresentava-se onde
estivesse alguém ameaçado ou molestado por alguma
doença. Sem limite de horas ou de locais, montado num
cavalo ou num jumento, se fosse necessário, levava uma
esperança de cura aos males mais comuns dos varzea-
nos, de quem merecia o respeito, a confiança e de quem
recebia a gratidão muitas vezes representada pelo voto
nas umas nos dias de eleição
, que o fizeram vereador
por algumas vezes e prefeito municipal, na década de
60,
quando ainda nem sonhava o Alto do Rodrigues
com a revolução progressista iniciada com a chegada da
PETROBRAS.
Os serviços prestados ao Alto do Rodrigues, por
Chico Eliseu, se refletem como uma compensação pelo
abrigo que lhe deu a comunidade, onde chegou e partici-
pou de sua formação, contribuindo, na qualidade de far-
macêutico virtual, para a substancial e efetiva melhoria
na qualidade de vida da população, numa época em que
serviços médicos eram coisas de ouvir dizer.
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1.                    





GILBERTO FREIRE DE MELO
Produziu uma respeitável descendência familiar,
cujos representantes são vistos ainda a olho nu, aqui e
alhures.
OMAR RODRIGUES
Filho de Chico Rodrigues e de D. Sinhá, Ornar,
ainda entre nós, residindo em Pendências, herdou, de seu
pai, a vocação político-partidária, elegendo-se vereador
em Pendências e no Alto, após a emancipação, man-
teve, com D. Benigna Araújo, os seguintes filhos: José
Alberto, Joaquim, Ornar Filho (falecido precocemente),
Miriam, Fátima e Dinarte.




Omar Rodrigues Ferreira, o único
descendente vivo, homem, segundo
do escalão da família Rodrigues.


BEATRIZ SI QUEIRA DE MELO
Outra liderança do Buraco D'água que manteve,
durante algum tempo, um vereador
- seu filho Ivo - na
Câmara Municipal de Alto do Rodrigues
. Casada com
Sebastião Firmino. Ocupou a posição de líder na comu
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ALTO DO RODRIGUES

nidade tratando com carinho e com ações solidárias as
comadres e os afilhados daquele sítio.

MARIA NATÁLIA

Filha de José Ferreira das Neves, o Zezinho Fer-
reira já nosso conhecido, casou-se, a primeira vez, com
Heitel Cabral, de
Açu, com quem produziu filhos, dentre
os quais o odontólogo Heitel Cabral Filho que mantém
clínica na capital do Estado.
Enviuvando, Maria Natália contraiu novo matri-
mônio com João Batista Barbalho, de Pendências. Vive
ainda entre nós e foi a primeira Agente Postal Telegrá-
fica de Alto do Rodrigues, nomeada na década de 50,
quando foi criada a Agência dos Correios, em 1956.
Primeira Agente Postal Telegráfica
de Alto do Rodrigues, Maria Natália
contribuiu eficazmente para
que hoje possamos exibir o
progresso de sua terra.

ABSALÃO PINHEIRO MAlA

Filho de João Alfredo de Oliveira e de D. Cecília
Pinheiro Maia de Oliveira, a matriarca que se notabili-

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GILBERTO FREIRE DE MELO
zou, a partir do sítio que povoou, chamado Estreito ou
Garganta do Estreito, por se localizar na parte menos
larga do Vale do Açu, e que mais aproximou os dois tabu-
leiros, as duas margens do rio, a partir de onde começa a
V árzea do Açu, segundo Manoel Rodrigues de MeIo.




Absalão Pinheiro Maia, um dos
ilustres filhos de Alto do Rodrigues
que se radicou em Pendências.



Oriundos do médio Oeste potiguar, onde se loca-
liza a área compreendida entre Itaú (Ab sal ão ) e
Caraú-
bas (Alba Miranda), na ribeira do Apodi, neste Estado,
acabaram re-implantados no Vale do Açu, e aí se fixaram
e produziram a família Pinheiro Maia que se propagou
através de descendentes ilustres como Maria de Lourdes
que se casou com Ademar Germino Vieira, emigrando
para onde lhe removessem as administrações públicas
de que era servidor, e Teresinha que, casada com Luiz
Firmino de Oliveira, ali mesmo do Buraco D' água, onde
fixaram as suas atividades profissionais e familiares.
No Estreito nasceu e se criou Absalão. Irrequieto,
inconstante, não se estabilizou no Alto do Rodrigues,
fixando residência e instituição familiar em Pendências,
quando ainda abrigava Alto do Rodrigues em sua juris-
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ALTO DO RODRIGUES
dição, sempre demonstrando aptidões na disputa por
espaços onde quer que se apresentassem. Foi nomeado
Tabelião e Oficial do Registro Civil do Cartório Único
de Pendências, Termo Judiciário da Comarca de Macau,
sem se desligar de suas raízes, bem assentadas que eram
no Estreito, onde fez e manteve as amizades que pre-
dominaram em seu currículo enquanto viveu. Todos os
habitantes do então povoado de Alto do Rodrigues e de
suas extensões mantiveram estreitíssima amizade com
Absalão, com suas "capiloçadas", como eram classifica-
das por João Martins as suas peripécias e o seu folclore.
Casado com D. Alba de Miranda Pinheiro, professora,
diretora do Grupo Escolar "Luiz Gonzaga". Proveniente
de C araúb as , no Médio Oeste potiguar, se casou com
Absalão com quem produziu e espalhou para além das
ribeiras do Açu, ilustres e notáveis, todos os oito filhos
desse consórcio.
Absalão, muito cedo, se notabilizou por um com-
portamento multifacetado, quer no que diz respeito ao
seu convívio nas áreas de lazer e de divertimento, quer
na conduta amorosa ou sentimental, em que se manifes-
tou, ainda imberbe, um assanhado garanhão, um repro-
dutor com pedigri, apenas quase perdendo, na várzea
do Açu para Pantaleão F erreira, igualmente do Alto do
Rodrigues que, segundo seu filho Batista, aquele mesmo
da ambulância, deixou 42 filhos varzeanos.
Tinha ainda Absalão a peculiaridade de "língua
solta", meio irreverente, tirando a terreiro ou quebrando
protocolo de qualquer etiqueta por mais inglesa que
fosse. Quem não se lembra do célebre episódio dele
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